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Artigos em espanhol: el, la, lo e as pegadinhas do português

Luca Atualizado em 8 setembro 2026
Os artigos em espanhol parecem a parte mais tranquila do idioma: el, la, los, las são quase iguais aos nossos, e é justamente por isso que passam despercebidos e continuam saindo errado depois de anos de estudo. O espanhol tem um artigo que o português não tem (o neutro lo), só duas contrações onde nós temos dezenas, e uma lista de palavras que trocam de gênero no caminho. Aqui você vê tudo isso com exemplos reais, além dos momentos em que o artigo aparece em espanhol e some em português. Se você ainda está montando sua rotina de aprendizagem, comece pelo nosso guia de como aprender espanhol sozinho.
artigos em espanhol

Pontos-chave:

  • Os artigos definidos em espanhol são el, la, los, las — e existe um quinto, o neutro lo, que o português não tem.
  • O espanhol tem apenas duas contrações: al (a + el) e del (de + el). Nunca escreva a el nem de el.
  • Palavras femininas que começam com a tônico pedem el no singular (el agua, el hambre), mas voltam a las no plural.
  • Dezenas de palavras trocam de gênero entre os dois idiomas: la leche, la nariz, el color, el viaje.
  • O espanhol usa artigo onde o português não usa (son las tres, el lunes).

Por que ninguém estuda os artigos (e por que isso cobra caro depois)

Existe um motivo bem simples para os artigos em espanhol raramente aparecerem no caderno de quem está começando: eles parecem prontos. El, la, los, las soam como “o, a, os, as”. Ou seja: a gente entende tudo na primeira leitura e passa direto para os verbos, que parecem mais urgentes.

O problema é que artigo é a palavra mais repetida de qualquer texto. Um deslize aqui não aparece uma vez por página: aparece cinco, dez vezes, e é exatamente o tipo de detalhe que denuncia um brasileiro escrevendo em espanhol. Frases como voy a el hotel ou la agua está fría continuam perfeitamente compreensíveis, e é justamente por isso que ninguém corrige — o erro atravessa anos sem ser notado.

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A boa notícia é que a lista de diferenças entre os dois idiomas é pequena. Dá para percorrer todas em uma sentada só, e sair daqui com o problema resolvido de vez.

O quadro completo: cinco artigos definidos, quatro indefinidos

Comece pelo que é familiar. Os artigos definidos do espanhol funcionam como os nossos, e concordam em gênero e número com o substantivo:

  • el libro — o livro (masculino singular)
  • la casa — a casa (feminino singular)
  • los libros — os livros (masculino plural)
  • las casas — as casas (feminino plural)
  • lo importante — o importante (o neutro, que não tem equivalente direto)

Os artigos indefinidos também concordam em gênero e número com o substantivo: un (um), una (uma), unos (uns) e unas (umas). Assim como em português, as formas plurais unos e unas também podem transmitir a ideia de “alguns” ou “algumas”.

Por exemplo: Tengo unos amigos en Bogotá (“tenho uns amigos em Bogotá”), Compré unas naranjas (“comprei umas laranjas”). E, quando vem antes de um número, unos e unas também podem indicar uma quantidade aproximada: Vinieron unas treinta personas (“vieram umas trinta pessoas”, ou seja, aproximadamente trinta).

Al e del: as duas únicas contrações do espanhol

Aqui mora o erro mais frequente de todos, e ele nasce de um excesso de confiança. O português é uma língua obcecada por contrações: do, da, no, na, ao, à, pelo, pela, num, numa, deste, naquele — são dezenas de combinações que a gente faz no automático. O espanhol tem exatamente duas:

  • a + el = al → Voy al hotel. (nunca a el hotel)
  • de + el = del → La puerta del coche. (nunca de el coche)

Fora essas duas, nada se junta. De la continua de la, en el continua en el, por la continua por la. Se você traduzir “na cozinha” mentalmente, vai querer escrever alguma coisa colada — mas em espanhol é en la cocina, duas palavras, sempre.

Há duas exceções que valem a pena guardar, porque aparecem em textos formais. A contração não acontece quando él é o pronome com acento (El regalo es de él, “o presente é dele”) nem quando El faz parte de um nome próprio: Vengo de El Salvador, las calles de El Cairo.

O neutro lo: o artigo que o português não tem

Esta é a peça realmente nova, e a que mais gera dúvida — não à toa, “artigo neutro lo” é uma das buscas mais repetidas sobre o assunto. A regra que resolve 90% dos casos é curta: lo nunca acompanha um substantivo. Diante de um adjetivo, ele faz esse adjetivo funcionar como substantivo, com o sentido de “aquilo que é…” ou “o que é…”: lo importante (“o que é importante”), lo difícil (“o que é difícil”).

  • Lo bueno — “o bom”, “a parte boa”, “o que há de bom”
  • Lo difícil es empezar. — “o difícil é começar”
  • Lo que me dijiste ayer — “o que você me disse ontem”
  • Lo de tu hermano fue increíble. — “aquilo do seu irmão foi incrível”
  • No sabes lo cansado que estoy. — “você não sabe o quanto estou cansado”

Repare que lo não tem plural nem feminino: ele nunca concorda com nada, porque não está apontando para um objeto, e sim para um conceito. Por isso lo bonito de este barrio funciona mesmo falando de um bairro masculino — o que é bonito ali é uma qualidade, não a rua em si.

Um aviso para não confundir: existe outro lo em espanhol, o pronome de objeto direto de Lo vi ayer (“eu o vi ontem”). São palavras diferentes com a mesma forma, e o contexto separa as duas sem esforço. Se os pronomes ainda te embaralham, vale revisar os pronomes pessoais em espanhol antes de seguir.

El agua, el hambre: quando o feminino pede el

Você vai ler el agua e pensar que agua é masculino. Não é. A palavra agua, em espanhol, continua feminina do começo ao fim . O que muda é só o artigo, e por um motivo puramente sonoro: dizer la agua emenda dois “a” e trava a boca. O espanhol resolveu isso trocando o artigo no singular.

A regra vale para substantivos femininos que começam com a tônico (ou ha tônico, já que o h é mudo): el agua, el hambre, el alma, el aula, el águila, el hacha, el arma. Com o artigo indefinido acontece o mesmo: un aula, un águila.

Duas consequências disso costumam pegar todo mundo de surpresa. A primeira: no plural tudo volta ao normal, porque o encontro de sons desaparece — las aguas, las aulas, las armas. A segunda: o adjetivo continua feminino, sempre. Escreve-se el agua fría, el aula nueva, mucha hambre — nunca el agua frío.

E cuidado com o gatilho: a regra só vale se a sílaba tônica for a primeira. Abeja, amiga e arena começam com “a”, mas a sílaba tônica não é a primeira. Portanto, continuam com la: la abeja, la amiga, la arena.

As palavras que trocam de gênero no meio do caminho

Este é o ponto que mais pode gerar confusão, porque não tem lógica nem regra. É uma lista de palavras que o português e o espanhol classificaram de formas diferentes, e cada uma delas leva o artigo errado, se você confiar no instinto.

Femininas em português, masculinas em espanhol:

  • a cor → el color
  • a viagem → el viaje
  • a árvore → el árbol
  • a dor → el dolor
  • a ponte → el puente
  • a origem → el origen
  • a paisagem → el paisaje
  • a mensagem → el mensaje
  • a equipe → el equipo
  • a análise → el análisis

Masculinas em português, femininas em espanhol:

  • o leite → la leche
  • o sangue → la sangre
  • o nariz → la nariz
  • o sal → la sal
  • o mel → la miel
  • o sorriso → la sonrisa
  • o costume → la costumbre
  • o sinal → la señal

Não existe atalho aqui, e é bom saber disso desde já: nenhuma dessas trocas segue um padrão que dê para deduzir. O que existe é uma forma inteligente de nunca mais errar, e a dica vem da Berta:

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Meu conselho como falante nativa de espanhol: nunca guarde uma palavra sozinha. Guarde sempre o artigo colado nela — não leche, mas la leche; não color, mas el color. Para nós, o artigo faz parte da palavra. É assim que a gente aprende quando criança, e é por isso que a gente nunca hesita. Se você anota só o substantivo, está guardando metade da informação, e vai ter que adivinhar o gênero toda vez que abrir a boca. Isso vale para as suas anotações, para os seus flashcards e, principalmente, para quando você repetir a palavra em voz alta.

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Quando o espanhol põe artigo e o português não

Até aqui foi questão de escolher o artigo certo. Agora, a diferença é outra: há situações em que o espanhol exige o artigo e a nossa cabeça não coloca nenhum — e outras em que acontece o contrário.

Horas e dias da semana

As horas em espanhol sempre levam artigo, e o número decide se ele vem no singular ou no plural: Son las tres, Son las ocho y media, mas Es la una. Com os dias da semana, o artigo substitui a preposição que a gente usaria: El lunes tengo clase quer dizer “na segunda tenho aula”, e Los lunes voy al gimnasio quer dizer “às segundas vou à academia”. A diferença entre singular e plural é a diferença entre um dia específico e um hábito.

Dica: nunca escreva en el lunes. Esse en é uma tradução direta do nosso “na”, e é o erro de brasileiro mais fácil de identificar. O artigo sozinho já dá conta do recado.

Partes do corpo e roupas

Onde o português usa possessivo, o espanhol usa artigo — e usar o possessivo soa estranho, quase como se você precisasse esclarecer de quem é o braço. Diga Me duele la cabeza (e não mi cabeza), Me lavo las manos, Ponte el abrigo. O pronome antes do verbo já indica de quem se trata.

Nomes, títulos e idiomas

Este trio merece atenção porque cada item vai para um lado. Antes de nome de pessoa, o espanhol padrão não usa artigo: dizemos María llegó, e não la María llegó — que, além de errado na norma culta, soa depreciativo. É o oposto exato do nosso “a Maria chegou”, tão natural no português do Brasil.

Antes de títulos, porém, o artigo aparece quando você fala sobre a pessoa: El señor García ya llegó, La doctora Ruiz no está. Mas o artigo some quando você fala com ela: Buenos días, señor García.

Já os idiomas levam artigo como sujeito (El español es más fácil de lo que parece), mas o dispensam depois de verbos como hablar, estudiar e aprender: Hablo español, Estoy aprendiendo español. Se quiser ver esse funcionamento dentro de frases inteiras, nosso artigo sobre os verbos em espanhol mostra bem como artigo e verbo se acomodam um ao outro.

Quando o artigo simplesmente some

Em vários contextos, o espanhol dispensa o artigo indefinido — e, felizmente para quem fala português, muitas dessas construções funcionam da mesma maneira nas duas línguas. Ainda assim, vale conhecê-las para evitar colocar un ou una por influência de outras línguas ou por generalização:

  • Profissão, nacionalidade ou religião depois de ser: Soy profesora, Es brasileño. O artigo só volta se houver um adjetivo junto: Es un profesor excelente.
  • Antes de otro: otro café, e jamais un otro café.
  • Com medio: media hora, medio kilo.
  • Em exclamações: ¡Qué día!, ¡Qué pena!
  • Antes de cien e mil: cien euros, mil personas.
  • Com objetos que a gente costuma ter só um: No tengo coche, ¿Tienes hermanos?

Os cinco erros que mais aparecem (e como matar cada um)

Se você guardar só uma parte deste artigo, que seja esta. São os cinco deslizes que mais aparecem em textos de brasileiros, na ordem em que costumam surgir:

  1. a el e de el em vez de al e del. Solução: são só duas contrações, e as duas envolvem el.
  2. un otro em vez de otro. Solução: otro já carrega o sentido de “um”.
  3. la agua em vez de el agua. Solução: a palavra segue feminina, só o artigo muda — e volta a ser las no plural.
  4. la color, el leche. Solução: memorizar substantivo e artigo juntos, como a Berta explicou acima.
  5. en el lunes e la María. Solução: dia da semana pede só o artigo; nome de pessoa não pede nada.

Um jeito rápido de fixar tudo isso sem decorar lista: pegue qualquer texto curto em espanhol e circule apenas os artigos, ignorando o resto. Fazendo isso em dois ou três textos você vai começar a reparar sozinho nos casos em que o espanhol faz diferente do português — e é aí que a regra deixa de ser regra e vira intuição. Os nossos textos em espanhol com áudio são um bom lugar para começar esse exercício hoje mesmo.