A parte mais difícil, para quem quer aprender japonês, talvez seja entender como se escreve em japonês. Primeiro, porque o sistema de escrita desse idioma é bem diferente do alfabeto latino, com o qual estamos acostumados. Mas também porque o japonês tem não apenas um, mas três sistemas de escrita diferentes. Por isso, no artigo de hoje, vamos conhecer estes três sistemas – o kanji, o hiragana e o katakana. E explicar quando você deve usar cada um deles.

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Como se escreve em japonês: os diferentes sistemas de escrita

O japonês tem três sistemas de escrita principais, o kanji, o hiragana e o katakana. Para aprender como se escreve em japonês, vamos dar uma olhada em cada um deles, individualmente. E, em seguida, descobrir como os três são usados no dia a dia.

Do hanzi chinês ao kanji japonês

Você não precisa ser um especialista em idiomas para perceber que o japonês usa caracteres chineses (caracteres Han). Entretanto, estas duas línguas são totalmente diferentes uma da outra. O chinês faz parte das línguas sino-tibetanas, enquanto o japonês pertence à família das línguas japônicas. Mas o Japão não foi o único país no mundo que adotou o sistema chinês de escrita como base do seu. O Kanji como esse sistema é chamado no Japão, também já foi usado no Vietnam (onde se chama chữ nôm) e na Coreia (Hanja).

Há muito tempo, em um arquipélago distante…

Originalmente, os japoneses não tinham um sistema de escrita próprio. Até o século V, seu idioma era apenas oral. A China, por outro lado, contava com um sistema de escrita milenar. Foi por isso que o sistema de escrita chinês acabou se espalhando pelo arquipélago japonês por meio de objetos com caracteres inscritos. Caracteres que, na época, apenas os japoneses que conheciam o idioma chinês sabiam ler.

Ao longo do século V, a China e a Coreia começaram a estabelecer relações diplomáticas. Com isso, os escribas coreanos tiverem que aprender a escrever em chinês. A localização geográfica da Coreia — que fica entre o Japão e a China — acabou facilitando o contato dos japoneses com a ideia de “emprestar” os caracteres chineses. Foi a partir do contato com os coreanos que os japoneses começaram a imaginar que poderiam usar um sistema de escrita estrangeiro para transcrever sua própria língua.

A criação dos kanas

Os japoneses de então começaram a usar alguns caracteres Han, mas apenas pela sua fonética, sem levar em consideração seu significado. Isso é o que hoje se chama “manyo-gana” (万葉仮名). É como se nós usássemos os caracteres chineses para escrever em português, nos baseando apenas nos sons que eles representam. Estes primeiros caracteres japoneses foram a primeira versão dos kanas. Ou seja: dos caracteres Han modificados, usados para escrever em japonês. Este sistema de escrita, no entanto, não é mais usado. Já o hiragana e o katakana são kanas usados até hoje. Estes, junto com o kanji, são os caracteres japoneses que conhecemos.

Todos os kanas são silabários. Isso significa que, com exceção do “n final” ( / ), que é um pouco particular, todos os caracteres representam sílabas, e não sons individuais como acontece no nosso alfabeto.

Do kanji ao katakana

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Imagem: Buddy Lindsey

A criação do katakana é atribuída a Kūkai, um monge budista que viveu no século IX. O que se sabe, com certeza, é que o katakana (片仮名) foi uma primeira compilação de símbolos, e não caracteres, para ler textos budistas escritos em kanji. Mas, à medida que um número cada vez maior de pessoas percebeu o quanto esses símbolos podiam ser úteis para a comunicação escrita, o katakana começou a ser misturado ao kanji.

O hiragana, por sua vez, deriva da escrita cursiva. Isso explica por que os caracteres do katakana (acima) têm cantos angulares e os do hiragana (abaixo) são mais arredondados.

Do kanji ao hiragana

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Imagem: Buddy Lindsey

Por muitos séculos, o hiragana (平仮名) foi usado apenas por mulheres de classe mais alta, mas que recebiam menos educação formal do que os homens. Os homens usavam o kanji e o katakana. Em função disso, uma rica literatura feminina nasceu no Japão, com obras todas escritas em hiragana. Um exemplo desta literatura é o Genji Monogatari (源氏物語) que data do século XI. Desta particularidade nasceu o “apelido” do hiragana: onna-moji (女文字), que significa, literalmente, “caracteres das mulheres”. Aos poucos, no entanto, o hiragana começou a ser cada vez mais aceito. Hoje, muita gente usa esse alfabeto, independente do gênero. Na prática, as pessoas usam o kanji e o katakana para a escrita oficial e o hiragana para a comunicação escrita no dia a dia. 

Em 1900, o Japão passou por uma reforma para simplificar o japonês escrito. Como parte desse movimento, cada sílaba passou a corresponder a apenas um caractere hiragana. Até então, a maior parte das pessoas tinha muita dificuldade para aprender a escrever em japonês. Os antigos caracteres hiragana que foram eliminados durante esta reforma são chamados hentaigana (変体仮名). Hoje, eles só são usados como uma forma de escrita histórica, para documentos e escritos tradicionais.

Como se escreve em japonês: usando os três sistemas

Atualmente escrever em japonês é algo que mistura os três principais sistemas: kanji, katakana e hiragana. Mas o japonês também conta com sistemas secundários de escrita. É o caso do rōmaji (ローマ字), que é o alfabeto latino, e o Arabia-sūji (アラビア数字), que compreende os algarismos arábicos que nós usamos. Portanto, não é raro ver frases que usam os três sistemas (ou mais!). Quer um exemplo?

9月にスぺインに行きます。
Em setembro, eu vou à Espanha.

Nesta frases, temos o kanji (月 e 行), o katakana (スぺイン, Espanha), um algarismo arábico (9, para o mês de setembro) e o restante está em hiragana.

como-se-escreve-em-japones-os-3-sistemas-de-escrita-mosalingua

Quando usar cada sistema de escrita japonês?

Vejamos o uso típico de cada um dos sistemas de escrita japoneses:

  • Kanji: o kanji é o principal sistema de escrita no Japão. Ele é usado para escrever nomes, raízes verbais e adjetivos.
  • Hiragana: já o hiragana é usado para a gramática, para as terminações verbais e dos adjetivos, para prefixos e sufixos, etc. Algumas palavras de uso frequente também são mais escritas em hiragana do que em kanji. É mais provável, por exemplo, que você veja a palavra どこ (doko, “onde”) do que 何処 (que significa o mesmo, mas em kanji).
  • Katakana: o principal uso do katakana é a transcrição de palavras estrangeiras (com exceção das muitas palavras “emprestadas” do chinês e do coreano). O japonês, portanto, usa palavras como パン (pan, “pão”), que vem exatamente do português, e ナイフ (naifu, “faca”), que vem do inglês knife. Os japoneses também usam o katakana para onomatopeias, para o nome científico dos animais ou para tornar textos de cartazes mais fáceis de ler.
  • Rōmaji: o alfabeto latino é usado para transcrever nomes japoneses em um sistema de escrita que os estrangeiros têm mais possibilidade de entender. Este sistema também é útil para siglas, como é o caso do NHK (Nihon Hosō Kyōkai), a companhia pública de comunicação do Japão.
  • Algarismos arábicos: o kanji conta com caracteres para representar os números  (一, 二, 三, 四, etc.). Entretanto, os algarismos arábicos são muito usados para propósitos específicos. É o caso, por exemplo, da escrita das datas. Como, por exemplo,  2016年12月9日 (9 de outubro de 2016).

Preparado(a) para aprender como se escreve em japonês?

Este artigo trouxe um resumo das características dos três sistemas de escrita japoneses. Ele foi escrito para que você entenda como se escreve em japonês da maneira que os japoneses escrevem… Eles têm uma forma muito bonita de misturar sistemas de escrita de um jeito único. Espero que você tenha gostado deste artigo e que ele tenha inspirado você a aprender mais sobre a língua japonesa. Se você está procurando recursos para aprender japonês, clique aqui. またね!

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